A sociedade pós-guerra se caracterizou pelo constante ciclo das contraculturas. Desde os hippies, passando por punks, góticos, hipsters e cults, foram inúmeros grupos criados em prol de diferenciar-se da cultura vigente. Mas então, o que seria, hoje, no Brasil, o senso comum? O que viria a ser esse padrão que já não enxergamos mais? Que está o tempo todo diante de nossos olhos, mas, não vemos?
Proponho que, para melhor entendimento, denominemos o senso comum brasileiro como Cultura do Sofá. O nome vem sustentado por um tripé da preguiça, formado por comodismo, manipulação através da mídia e ausência do senso crítico. É uma linha de causas e consequências que foram sendo difundidas pouco a pouco nos mais diversos pontos da população, a fim de criar um controle da massa pensante e torná-la inerte.
O Brasileiro foi, paulatinamente, acostumado às regalias que o governo entregava àqueles que tinham algum poder de criticá-lo: legistas, servidores, militares, juristas. Deu hospitais, clubes, aposentadorias gordas, férias recorrentes e prolongadas. Tudo que deveria ser garantido a toda a população, foi dado apenas ao grupo que decide por ela, para que fosse silenciado. Além disso, também foram criados programas e mais programas de assistência aos menos favorecidos, às camadas mais baixas da população. Ajudar quem precisa é um princípio moral e indispensável, mas nutrir vagabundos preguiçosos e comodistas com os impostos da classe média, não é. Até porque, a classe média, grande força motriz da sociedade capitalista, espera algum retorno daquilo que entrega nas mãos do governo. Usando uma lógica simples, eu pergunto: por que temos cada vez mais cidadãos registrados nos bolsas-sofá e não menos? Se o menos favorecido recebe assistência, claramente é a fim de mudar seu panorama social. É uma base para que ele consiga alterar sua realidade. Porém, não é assim que boa parte dos beneficiários entendem.
"Desde pequenos nós comemos lixo comercial e industrial". Essa frase eternizada na voz de Renato Russo é a síntese da geração Y, conhecida também como Geração Coca-Cola. O lixo em questão, é a "cultura" que temos contato diário através da mídia. Acredito não ser capaz de listar todos os programas de televisão que operam apenas para esquecermos que há uma vida lá fora, mas, não custa tentar: Pânico na Band, Big Brother Brasil, inúmeras novelas, praticamente todos os telejornais. Introduziram no brasileiro, através da cultura do sofá, a cultura da bunda, da péssima produção cultural e da distribuição gratuita de meias-verdades. O jornalismo brasileiro é, e sempre foi, considerado uma grande piada. Nossa mídia internacional funciona como repelente dos bem intencionados e atrativo para os urubus. Afinal, fora do Brasil, o que se vê sobre nosso país é um contraste entre desgraças, miséria, falta de segurança e futebol, samba, carnaval, bunda, praia. Creio que não seja mais necessário justificar por que gente mal intencionada não está em falta no Brasil.
Todos esses fatores supracitados, contribuem para que o brasileiro seja um mero espectador da sociedade que o oprime. Onde está o espaço para os novos escritores, músicos, artistas plásticos, pensadores, jornalistas? Não há, não aqui, em solo brasileiro. Infelizmente e, bastante emocionado, eu percebo que só não há incentivos a quem busca o bem da população. Eu, por motivos de força maior, não poderei ir às ruas. Portanto, peço a cada um dos leitores que, cada lágrima que eu deixo sobre esse teclado seja um de vocês que vai às ruas pedir uma cultura de verdade. Que nossas conquistas não sejam lembradas somente pelo braço forte, mas também, pela mente rica e criativa que nós somos. Tragam ao Brasil a maior contracultura que já vimos. Derrubem, com cada cartaz, cada gesto, cada canto, a Cultura do Sofá. Escrevam, componham, relatem, criem, tudo que possa demonstrar a riqueza do povo pensante. Usem a arte para retratar o cansaço, mas ainda, a gana que temos para acordar esse gigante do qual todos nós somos parte. Vamos fazer da nossa Pátria amada, um motivo de se orgulhar, seja pela união, pela igualdade, pela consciência, pela arte. Só assim, teremos razão quando cantarmos aos quatro cantos do mundo que SOMOS BRASILEIROS, COM MUITO ORGULHO, COM MUITO AMOR.
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"Mas agora chegou nossa vez
ResponderExcluirVamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês."
Me emocionei, zizu, belo texto